Nascida com o talento vocabular e a precisão métrica para criar um soneto como que uma ourives da palavra, Florbela Espanca viveu a fundo os mais diversos estados da alma — depressão, exaltação, concentração, dispersão — que na sua poesia atingem tão vibrante expressividade. Impossível lermos Florbela sem reconhecermos sua inquietação e inconformismo, que vão se manifestando de forma irremediável e sôfrega, retratando uma personalidade contraditória. Em Sonetos, o leitor perceberá os jogos vocabulares e paralelísticos, os improvisos e as formas lapidares, que exaltam toda a sensibilidade e qualidade estética dessa figura paradigmática da literatura portuguesa, que maneja as palavras de modo a fazê-las render o máximo de insinuação, expressão e relevo.