Nesta nova incursão pelo gênero do ensaio, a aclamada escritora e atriz argentina Camila Sosa Villada está mais disposta do que nunca a mergulhar na arte do que não se diz. Por meio de fragmentos, ela nos conduz por um estreito fio de navalha que ora é composto de lembranças da infância e do relacionamento com os pais, ora se pavimenta com os fluidos e calores de uma sexualidade vibrante.Repleto de frases antológicas, o livro tem lampejos ficcionais e entrelaça temas como a iniciação sexual, o prazer da leitura, a liberdade, a vergonha, o trabalho sexual, a violência do amor, a identidade travesti, entre outros. E o faz em constante diálogo com Marguerite Duras e Jorge Luis Borges, escarafunchando a linguagem para chegar ao âmago da verdade, seja ela a afirmação de que não vivemos para ser felizes, mas para trabalhar, ou a de que o erotismo é “chegar perto da morte e não morrer”. A traição da minha língua
é uma pequena joia composta de textos viscerais, que nos esprei