No A Saude dos Ventos II, o narrador, Prof. Humberto Leivas, continua transcrevendo acontecimentos medicos, politicos, culturais e sociais como os teria encontrado num suposto Diario do passado. Assim o leitor percebera detalhes da evolucao de uma epoca pouco conhecida pelos gauchos. A despeito dos constantes conflitos entre o governo positivista com a Faculdade de Medicina e Farmacia de Porto Alegre, relacionados a Liberdade Profissional, a instituicao de saude se manteve aberta e progrediu. Na Santa Casa ampliaram-se as especialidades medicas. Por meio das teses de conclusao do curso, professores e alunos passaram a oferecer alternativas para o saneamento e o aporte de agua potavel. Os medicos higienistas, alem de atuarem nas questoes de saude da populacao, passaram a orientar os pais na educacao dos filhos, nas questoes de higiene, nas vestimentas, nos habitos familiares. Apregoavam que os cuidados com a higiene nao deviam se limitar aos bons costumes e a limpeza das casas. E as criancas, que tipo de educacao recebiam nos seus lares? Era a mae que amamentava os filhos ou ainda imperava a cultura da escrava ama-de-leite? Os pais deviam mandar seus filhos para os internatos, a fim de afasta-los dos perniciosos habitos oriundos do Periodo Colonial? Como os pais, os professores e os medicos podiam combater o onanismo? E seriam as bacterias ou os miasmas que transmitiam as doencas? Nao era apenas nas campanhas a favor da vacina da variola que os medicos deviam atuar. Se a ciencia medica progredia a olhos vistos, nao era menos verdade que esses conhecimentos ainda eram pouco usados em beneficio da populacao. E, justificando que os romances eram fontes importantes para se compreender melhor epocas, o narrador do Diario volta a se socorrer da literatura para reforcar seus argumentos. Nos romances, as personagens mostravam-se como eram na intimidade. Criadas com maior ou menor rigor revelavam seu modo de ser, de conviver, de se conduzir em sociedade. Ao conhecer como era o comportamento de Aurelia, personagem de Alencar, o leitor perceberia como era vista a mulher do seculo dezenove. No romance Casa de Pensao, Aluisio de Azevedo, o leitor perceberia como era barbara a educacao no seculo novecentista. Com minuciosos detalhes, Prof. Humberto retrata muitos outros episodios historicos marcantes.