Quem já cantou e se emocionou com os versos “Amor é um fogo que arde sem se ver;/ É ferida que dói e não se sente”, popularizados na voz de Renato Russo, do Legião Urbana, talvez não saiba que essas palavras abrem um soneto de Luís de Camões, escrito há quase cinco séculos. E poucos sabem que esses versos perfeitos, que colam na memória, são decassílabos e que o poeta calculou a função de cada sílaba para que pudéssemos sentir, para sempre, a emoção que o levou a escrever essas palavras apaixonadas.
Em Soneto: a exceção à regra, dois grandes poetas, tradutores e estudiosos das formas poéticas se reuniram para esmiuçar a máquina do poema, revelando os segredos escondidos em cada detalhe. André Capilé e Paulo Henriques Britto escolheram catorze sonetos de poetas brasileiros, de diferentes gerações e linhagens — Olavo Bilac, Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos, Mário de Andrade, Vinicius de Moraes, Jorge de Lima, Carlos Drummond de Andrade, Sosígenes Costa, Mário Faustino, Hilda Hilst, Maria