“Aquilo a que chamamos rosa, com outro nome, teria o mesmo perfume encantador.”
William Shakespeare
Shakespeare toma o nome da rosa para exaltar a essência das coisas substantivas. O que há em um nome?, indaga Julieta. E o que há neste livro, senão aquilo que transcende a tessitura dos signos revelada na subjetividade sublime do traço concreto? Na cultura inaugural do Oriente, o traço é o princípio da consciência: um yang que se desdobra em yin na origem do céu e da terra e cultiva toda a realidade pulsante.
Aqui, Rosa Cohen exerce a habilidade da captura do espírito, da essência que permeia um universo de significados. Seu instrumento é a arte fugaz do sumiê, que teve origem na dinastia Tang na China, antes de migrar para o Japão através dos discípulos de Sidarta Gautama. Seu ponto de partida é o exercício gestual que guarda o mesmo anseio milenar dos artistas atemporais, e nele Rosa traduz-se na expressão de sua própria existência, capaz de sequestrar do contraste entre tinta e