Um reencontro consigo mesmo e com aqueles que nos cercam, diante da delicada arte de seguir vivendo.
Em Afagos e afins, Jairo Pereira apresenta uma poesia que nasce do corpo e retorna para ele como cuidado. Seus versos pulsam no ritmo do peito, entre feridas abertas e gestos de acolhimento, afirmando o afeto como força vital, ética e política. Aqui, a palavra não suaviza a dor para escondê-la: ela a reconhece, atravessa e propõe caminhos de cura possíveis.
Com linguagem direta, marcada pela oralidade e pela musicalidade do samba, do tambor e da fala cotidiana, o autor constrói poemas que dialogam com temas como negritude, masculinidade, cidade, memória, amor, luto e recomeço. A escrita se move entre o íntimo e o coletivo, fazendo do colo, do chamego e do carinho não uma fuga da realidade, mas uma forma de enfrentá-la.
Afagos e afins, aposta na potência do cuidado como gesto transformador. Em vez de negar o passado, a obra sugere uma invenção constante do presente: fazer um novo dia,