“Ser rotulado é começar a morrer artisticamente” — essa afirmação do poeta Sebastião Nunes, em entrevista a Fabrício Marques em 2008, é uma ótima divisa para a obra de uma vida inteira que se mostra nas páginas de
Antologia mamaluca
. De fato, seus poemas ocupam um lugar único, não se dobram a qualquer rótulo e expressam uma vitalidade criativa — e não menos combativa — que se mantém intensa até os dias atuais.
Não há dúvida de que estamos diante de um poeta, mas o que ele exige vai bem além da leitura. Como afirma Ademir Assunção na orelha do livro, a obra de Nunes se caracteriza por uma “inusitada engenharia de texto, fotomontagem, tipografia, cartum e distorção gráfica que utiliza para fustigar sem dó, e com humor implacável, a idiotia humana expressa em convenções sociais, políticas e até mesmo literárias”.
Desde os anos 1960, é essa
engenharia mamaluca
, ácida e sarcástic