Ao fim do século XIX, contra todas as pressões de uma sociedade brasileira conservadora e patriarcal, muitas vezes misógina, uma escritora cearense ousou imaginar uma comunidade utópica na qual as mulheres dominariam as ciências, teriam habilidades sobrenaturais, combateriam o mal... e tudo isso sem interferência masculina. A narrativa dessa ginecocracia ficcional, pioneira em vários sentidos ? além das matizes feministas e progressistas, é considerado o primeiro texto longo de realismo fantástico brasileiro ?, torna A Rainha do Ignoto, de Emília Freitas, um romance digno de estrear o selo 106 Clássicos. Marcada pela brasilidade, a história é ambientada principalmente no Nordeste brasileiro, mais especificamente no Ceará, onde as Paladinas do Nevoeiro formam uma sociedade autônoma e altamente desenvolvida que se vale do poder da hipnose e da capacidade de se comunicar com o além para identificar e ajudar outras mulheres doentes, em desespero ou oprimidas pelos homens. Extasiado pela vi