Muitos dos versos de Érico Nogueira — inexcedível conhecedor de poética — realizam um dos amálgamas mais originais e insólitos da poesia contemporânea no Brasil, graças à inserção de um vocabulário coloquial, cotidiano, ou mesmo rasteiro e chulo, em formas da mais alta lírica ocidental, alcançando resultados surpreendentes, com uma sintaxe que se afasta voluntariamente daquela de todos os dias, daquela usada no que chamamos de realidade, até alcançar essa mesma realidade no seu cerne — como os expressionistas — ao afastar-se dela. No verso livre ou metrificado, ou ainda no poema em prosa, essa fundamental originalidade se sustenta com perfeição, chegando à façanha cruel e rara de fundir a sátira com a elegia. Poeta de fortes raízes paulistas, Érico Nogueira, sem a menor dívida formadora, nos faz lembrar certas características do extraordinário Augusto dos Anjos, ou seja, um voo para o filosófico e o espiritual a partir da mais pura materialidade, talvez a partir do Aqui do título, um a